quarta-feira, 25 de maio de 2011

VERDADE VERDADEIRA

(O texto abaixo foi enviado por email pela amiga Maria Angelica, dona de um lindo brecho)

BRASILEIRO É MESMO A MERDA DA HUMANIDADE!!!!


O CASEIRO DO PIAUÍ E A CAMAREIRA DA GUINÉ
Nascido no Piauí, Francenildo Costa era caseiro em Brasília. Em 2006,
depois de confirmar que Antonio Palocci frequentava regularmente a
mansão que fingia nem conhecer, teve o sigilo bancário estuprado a
mando do ministro da Fazenda.
Nascida na Guiné, Nafissatou Diallo mudou-se para Nova York em 1998 e
é camareira do Sofitel há três anos. Domingo passado, enquanto
arrumava o apartamento em que se hospedava Dominique Strauss-Kahn, foi
estuprada pelo diretor do FMI e candidato à presidência da França.
Consumado o crime em Brasília, a direção da Caixa Econômica Federal
absolveu liminarmente o culpado e acusou a vítima de ter-se
beneficiado de um estranho depósito no valor de R$ 30 mil. Francenildo
explicou que o dinheiro fora enviado pelo pai. Por duvidar da palavra
do caseiro, a Polícia Federal resolveu interrogá-lo até admitir, horas
mais tarde, que o que disse desde sempre era verdade.
Consumado o crime em Nova York, a direção do hotel chamou a polícia,
que ouviu o relato de Nafissatou. Confiantes na palavra da camareira,
os agentes da lei descobriram o paradeiro do hóspede suspeito e
conseguiram prendê-lo dois minutos antes da decolagem do avião que o
levaria para Paris e para a impunidade perpétua.
Até depor na CPI dos Bingos, Francenildo, hoje com 28 anos, não sabia
quem era o homem que vira várias vezes chegando de carro à “República
de Ribeirão Preto”. Informado de que se tratava do ministro da
Fazenda, esperou sem medo a hora de confirmar na Justiça o que dissera
no Congresso. Nunca foi chamado para detalhar o que testemunhou. Na
sessão do Supremo Tribunal Federal que julgou o caso, ele se ofereceu
para falar. Os juízes se dispensaram de ouvi-lo. Decidiram que Palocci
não mentiu e engavetaram a história.
Depois da captura de Strauss, a camareira foi levada à polícia para
fazer o reconhecimento formal do agressor. Só então descobriu que o
estuprador é uma celebridade internacional. A irmã que a acompanhava
assustou-se. Nafissatou, muçulmana de 32 anos, disse que acreditava na
Justiça americana. Embora jurasse que tudo não passara de sexo
consensual, o acusado foi recolhido a uma cela.
Nesta quinta-feira, Francenildo completou cinco anos sem emprego fixo.
Palocci completou cinco dias de silêncio: perdeu a voz no domingo,
quando o país soube do milagre da multiplicação do patrimônio. Pela
terceira vez em oito anos, está de volta ao noticiário
político-policial.
Enquanto se recupera do trauma, a camareira foi confortada por um
comunicado da direção do hotel: “Estamos completamente satisfeitos com
seu trabalho e seu comportamento”, diz um trecho. Nesta sexta-feira,
depois de cinco noites num catre, Strauss pagou a fiança de 1 milhão
de dólares para responder ao processo em prisão domiciliar. Até o
julgamento, terá de usar uma tornozeleira eletrônica.
Livre de complicações judiciais, Palocci elegeu-se deputado, caiu nas
graças de Dilma Rousseff e há quatro meses, na chefia da Casa Civil,
faz e desfaz como primeiro-ministro. Atropelado pela descoberta de que
andou ganhando pilhas de dinheiro como traficante de influência, tenta
manter o emprego. Talvez consiga: desde 2003, não existe pecado do
lado de baixo do equador. O Brasil dos delinquentes cinco estrelas é
um convite à reincidência.
Enlaçado pelo braço da Justiça, Strauss renunciou à direção do FMI,
sepultou o projeto presidencial e é forte candidato a uma longa
temporada na gaiola. Descobriu tardiamente que, nos Estados Unidos,
todos são iguais perante a lei. Não há diferenças entre o hóspede do
apartamento de 3 mil dólares por dia e a imigrante africana incumbida
de arrumá-lo.
Altos Companheiros do PT, esse viveiro de gigolôs da miséria, recitam
de meia em meia hora que o Grande Satã ianque é o retrato do triunfo
dos poderosos sobre os oprimidos. Lugar de pobre que sonha com o
paraíso é o Brasil que Lula inventou. Colocados lado a lado, o caseiro
do Piauí e a camareira da Guiné gritam o contrário.
Se tentasse fazer lá o que faz aqui, Palocci teria estacionado no
primeiro item do prontuário. Se escolhesse o País do Carnaval  para
fazer o que fez nos Estados Unidos, Strauss só se arriscaria a ser
convidado para comandar o Banco Central. O azar de Francenildo foi não
ter tentado a vida em Nova York. A sorte de Nassifatou foi ter
escapado de um Brasil que absolve o criminoso reincidente e castiga
quem comete o pecado da honestidade.
Fonte: Coluna do Augusto Nunes – Veja